Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Intensamente

Ainda pequenina, 
Encantada pela magia do palhaço
Com o circo quis fugir.
Foi apanhada no flagra,
Mas isso não a fez do seu sonho desistir.

Aulas de piano,
Os pais queriam que fizesse
Rebelde por natureza disse:
que só Faria, se balé também pudesse.

Da sapatilha de ponta
Para um salto bem alto.
Assim deu os primeiros passos
Para glória em cima do palco.

Bailarina,  teatro, vedete...
Com muito esforço e dedicação
Foi se construindo
Cada trabalho um desafio,  uma conquista.
A estrela ia surgindo!

E seu esforço foi sendo reconhecido
Isso era tão Bom!
Estrelou sua primeira peça:
As inocentes do Leblon.

Muito talento e disciplina
Nas curvas de uma bela morena.
Conquistou seu lugar ao sol.
E nas telas do cinema.

Com a sétima arte
Nos mostrou o Brasil de fato
Como ele é.
Pobreza, fome, descasos
Testemunhados pelos olhos
Da linda Salomé.

Ela foi, sem nunca ter sido.
Culpa da censura,  vergonha nacional.
Mas isso não foi um empecilho
Para que divasse em Pecado Capital.

Rebelde, polêmica,  destemida
Vai da madame à mulher do Nordeste.
Parou o país com ousadia e beleza
Dando vida à Tieta do Agreste.

Carioca de Copacabana
Tem orgulho de ser conhecida
Como atriz popular.
Não há dúvida de que
Ela veio ao mundo para brilhar.

Guerreira, mãe,  mulher, atriz...
Quebrou barreiras,  derrubou preconceitos
Não mediu esforços para ser feliz.

Duas vidas? Não.  Muito mais...
Lucinha, Lygia, Leonor, Leda Maria
Grandes mulheres, vividas por
Uma grande atriz
Conhecida como Betty Faria.

Nair Gevezier 07/05/2018.

domingo, 8 de abril de 2018

Lembranças

Lembro de ti o tempo inteiro
Desde que acordo, até quando me deito
O tempo passou, e ainda sinto teu cheiro
Trago comigo,  um pedaço de ti no meu peito.

Foi pra sempre,  eterno
Não tem outro jeito
Ainda sinto tua pele na minha
Teu calor ainda aquece meu leito.

A saudade que sinto de ti
Não é tanta, à noite quando em outros braços me perco.
É  Sim, quando amanhece,
Acordo e percebo que não é  nos teus braços que adormeço.

Nair Gevezier 07/04/2018.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Quando te vi

Quando te vi
A vida passou a ter sentido
Até você aparecer
Foi como se eu nunca tivesse existido.
Quando te vi
Tranquilamente abri mão
Do meu sossego e sensatez
Senti uma emoção forte,  louca...
Como quem ver o mar
Pela primeira vez.
Quando te vi
Não me importava mais o sol, o mar...
Só pensava numa maneira
De estar dentro do teu olhar.
Quando te vi
Temi as penas do inferno.
Besteira!  Logo percebi
Que longe de ti, minha vida seria
uma longa e fria noite de inverno.
Nair Gevezier 09/03/2018.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Destino

Todo tormento que lhe causei
no início por brincadeira
Tornou-se uma grande paixão.
na minha vida, a mais verdadeira.

Quando nos teus olhos via medo
e com isso me divertia.
Não percebia que me apaixonava
no instante que te seduzia.

Inutilmente tentei fugir
da paixão que me invadia.
Por defesa, fingia-me de forte
acreditando que te protegia.

Resolvi obedecer a natureza
é sempre o melhor a fazer.
Lutar contra o destino é inútil
só tristezas pode trazer.

Nosso amor vai ser eterno
nada vai mudar
Não posso lutar contra o que sinto
Agora como antes:
faço o que a natureza mandar.

Nair Gevezier 23/02/2018.



domingo, 18 de fevereiro de 2018

Novo Apelo

Tanto tempo atormentado
Sentindo medo de pecar
Desesperado de desejo
querendo a tua pele tocar.

Não adiantava rezar
Nas minhas orações, você aparecia,
Ao fazer um pedido para a virgem no altar
Era os seus olhos que eu via.

Contigo conheci o amor
seus tormentos e delícias.
Enfrentaria o inferno se preciso
só pra ter de novo suas carícias.

Se pudesse voltar no tempo
não mudaria nada do que aconteceu.
Viveria tudo de novo
queria para sempre ser seu.

A melhor parte de mim
é a que dividi contigo.
Peço agora, como no início:
não vá embora, fique comigo!

Nair Gevezier 18/02/2018.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

De Tieta para Ricardo

Se tu tivesses mil vidas
e a mim as entregasse
ficaria muito honrada
Mas talvez as recusasse.

Tu não conhecias a vida
aprendeu a amar comigo.
Não poderia estar preso a mim
quando em outro seio encontrasse abrigo.

Lutei contra esse sentimento
que dia e noite nos consumia.
Não podia te marcar para sempre
por isso te protegia.

Uma paixão assim, desmedida
julgava-me incapaz de sentir.
Sentia medo e estava feliz,
mas não podia te ferir.

Mesmo sendo proibido
por ti meu coração bateu.
Tudo que queria era ser sua
e sei que querias ser meu.

Se mil vidas tivesses
em todas elas te seduziria.
Só pra ter de novo o prazer
Da tua pele tocando a minha.

Nair Gevezier 16/02/2018.



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Cartas de amor: de Ricardo para Tieta

Se mil vidas tivesse
A ti as entregaria
Ao te ver tive certeza
que meu destino a ti pertencia.

Nos teus olhos eu via o mar
Teu sorriso já me conduzia
Eu buscava entre as santas
uma que contigo se parecia.

Um sentimento inocente.
Juro!
Tinha medo de lhe ofender
precisava ser puro.

Mas meus pensamentos me traiam
tu já estavas na minha alma
Seu olhar me envolvia
nada mais me trazia calma.

E assim cheio de medo,
 teu perfume me entorpecia
Nos teus seios queria abrigo
Um misto de mar revolto e calmaria.

Naquele instante decisivo
"quem eu era ficou pra trás".
Tu eras minha perdição
Eu cada vez te querendo mais.

Se mil vidas tivesse
por ti queria morrer.
Nos teus seios ter abrigo
e nos teus braços renascer,

Nair Gevezier 14/02/2018.


domingo, 17 de dezembro de 2017

Tieta do Agreste

Não tinha medo, A Tieta do Agreste 
 Era o que todos diziam 
 Quando nas dunas Se perdeu. 
 Deixou pra trás Todo marasmo da cidade 
 Só pra sentir no seu sangue 
 A garra que Jesus lhe deu. 

 Quando menina 
Só pensava em ser feliz 
 Ainda mais, quando o "ipicilone duplo " 
Com Lucas aprendeu. 
 Era o terror da cidade 
 Onde morava 
No sonho de todos os homens 
 A Tieta apareceu. 

 Não ia muito à igreja, 
Porque não Precisava rezar. 
Sentia que era mesmo diferente 
 Sentia que aquele ali não era seu lugar.

 Ela queria com Lucas viajar 
No Agreste não tinha nem televisão, 
Mas ele era um homem do mundo 
 Por isso não alimentou sua ilusão. 

 Corria à noite toda cidade 
De tanto brincar de médico 
 Aos doze era professora. 
 Bem jovem foi expulsa à pauladas 
 Onde aumentou seu ódio 
 Diante da sociedade repressora.

 Não entendia como a vida funcionava
 Por ser livre agora conhecia a dor 
Sozinha no mundo foi obrigada 
 A se virar pelas estradas de Salvador. 

 E passando muito aperto 
Decidiu que pra São Paulo
 Ela iria viajar. 
 Conseguiu uma passagem 
 Não podia perder oportunidade 
 De sua vida recomeçar. 

 Ela pensava:" estou indo pra São Paulo 
 Nesse país lugar melhor, não há 
 Meu pai enxotou a própria filha 
 Foi um jeito de me libertar. 

" E Tieta começou sua saga 
 Num ônibus entrou para a capital 
 Ela ficou bestificada com a cidade 
Saindo da rodoviária pegou a marginal. 

 "Meu Deus, mas que cidade incrível! "
Agora é só começar a trabalhar 
 Fazer programa, rodar a bolsinha 
Ganhava cem por mês na Rua Augusta. 

 Na sexta-feira ia pra zona da cidade 
 Ganhar algum dinheiro de um rapaz trabalhador 
 Conhecia muita gente importante 
 Tornou-se a preferida de um comendador. 

 Um paulistano que vivia da indústria 
 E por Tieta foi se encantar 
Seu nome era Felipe, ele dizia 
Um negócio pra Tieta ia começar. 

 E a Tieta até a morte trabalhava 
Mas o dinheiro não dava pra ela se alimentar.
 O jeito foi se aproximar de Felipe 
 E a sua ajuda aceitar. 

 Ela não queria mais conversa 
E como prometeu à Carmosina 
 Decidiu que ia se vingar 
 Elaborou mais uma vez seu plano santo 
E o casarão de Higianopolis
foi inaugurar. 

 Logo, logo os boyzinhos da cidade 
 Souberam da novidade 
 "Tem vadia Boa aí. "
 E Tieta ficou rica e acabou 
 Com todas cafetinas dali. 

 Fez amigos importantes 
 Frequentava a alta roda 
Pra melhor se relacionar . 
E já com muito dinheiro 
 Dos parentes e da cidade 
 Ela começou se lembrar. 

 Depois de muito tempo no Agreste pensou
 E pra família mandou dinheiro 
pela primeira vez
 Um cheque gordo, no dia cinco 
 Passou a chegar todo mês. 

 Agora a Tieta era rica 
Destemida e temida por toda capital 
Não tinha nenhum medo de polícia Esposas, políticos, playboy ou marginal. 

 Um belo dia decidiu voltar pro Agreste 
 Cumprir a vingança que um dia prometeu. Ficou surpresa quando chegou à cidade 
 E escutou o boato: "Tieta morreu." 

 Ela conheceu o Ricardo 
 E com o coração do sobrinho mexeu. 
Ricardo estava pra ser padre 
Mas desistiu quando a tia conheceu. 

 Ele dizia que queria se casar 
E pra Tieta sempre viver
 "Minha cabra, pra sempre vou te amar 
 Só do seu lado eu consigo viver. " 

 Os dois se amaram, 
Mas Perpétua resolve estragar tudo 
 E a Tieta ameaçar 
 "Se você não reparar o mal 
 Vou contar pra todo mundo 
E da cidade mais uma vez te expulsar."

 "Não sou louca de casar 
Só pra te satisfazer
 Se é dinheiro que tu quer 
 É dinheiro que você vai ter." 
 É melhor você sair da minha casa 
Porque não vou ceder sua chantagem não.

 Antes de sair Perpétua olhou com sangue nos olhos 
 E disse: você perdeu sua pose 
Vai sair dessa cidade escurraçada como cão.

 Mas o Ricardo resolveu 
 Voltar pro seminário pela Tieta se sacrificar.
 E a Tieta entregou o testamento 
 Que dizia que ao morrer 
Seu patrimônio os sobrinhos iriam herdar.

 Perpétua dali pra frente 
 Decidiu que com Tieta ia acabar. 
Foi quando um dossiê 
 Com o passado da irmã 
 Apareceu por lá. 

 Perpétua, beata sem vergonha 
 Organizou a cerimônia pra Tieta desmascarar Odiava a irmã porque era quenga 
 E esse fato pra cidade ia contar.

Tieta do Agreste

Mas Sant'Ana tomou sua providência Derrubando uma vela para dossiê queimar. 
 Não adiantou nada dizer que era quenga Sem as provas ninguém ia acreditar. 

 Inconformada a Perpétua 
 Quis matar TietaCom as próprias mãos. 
 A Tieta então mostrou pra Todo mundo que a irmã Não tinha cabelo não. 

 O povo declarava que Tieta era santa 
Porque sabia viver. 
Até hoje é a trama mais polêmica 
 Que já passou na TV. 

 As pessoas não se conformam 
Com o final que a história veio a ter. 
Tieta conseguiu o que queria 
 Quando voltou pro Agreste 

Querendo vingança fazer. 
 Ela queria provar pra toda gente 
 Que não faz mal ser contente 
 Que veio para a vida foi Para viver.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Ricardo e Tieta

Renato Russo um dia disse:
"Quem irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?"

Ricardo estava confuso
Perdido pelo mundo
Sem saber se ser padre
era sua vocação.
Em São Paulo a Tieta
preparava sua vingança
Sua volta tinha essa motivação.

Ricardo e a Tieta se encontraram
na igreja
quando achavam que ela havia morrido,
o Ricardo percebeu que a partir dali
Seu futuro estava comprometido.

Se hospedou na casa de Ricardo
e muitas visitas Tieta recebia.
Ricardo intrigado
só pensava em rezar:
"Com que santa
a tia se parecia?"

No escuro do corredor
a Tieta tropeçou
e o Ricardo amparou
De olho no que seu decote exibia.

E a Tieta ria, enquanto seduzia
o padreco que só queria agradar.
O Ricardo meio bobo
Só pensava em ir pro quarto
"No milho vou me ajoelhar".

Ela falava coisas de São Paulo,
para ele era uma miragem
O ricardo enlouqueceu
quando Tieta pediu:
"Me faz uma massagem!"

E os dois passeavam muito juntos
planejando construções pela cidade.
Olharam a lua juntos
e o Ricardo descobriu
o que era felicidade.
Mas não podiam ficar juntos
Eram tia e sobrinho
um romance proibido
pela sociedade.

Foi então, que Tieta desistiu da sua
vingança, e decidiu pra São Paulo viajar.
Ricardo enlouqueceu, sem saber o que lhe deu
invadiu o quarto e a tia foi beijar.

Tarde demais pra resistir
Tieta também estava afim
Nas areias de Mangue Seco
se entregaram enfim.

Ele desistiu do seminário
a paixão foi se entregar
aprendeu um novo abecedário
aumentou seu vocabulário
só para a tia agradar.

Os dois se amaram muito,
e também brigaram muito
muitas vezes depois.
Ele descobriu o medo e o ciúme
só pensava em seu perfume
e até casamento à ela propôs.

Descobriu um vulcão
quando discutiu a relação
dessas coisas passou a entender
quando depois de uma briga
o "ipicilone duplo" veio aprender.

Se amaram muito e muito
deixaram muita saudade
quando o temido fim
veio acontecer.
Mas eu acredito
que esse amor é infinito
e outro igual não há de ter.

"Quem irá dizer
Que existe razão
nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
que existe razão?"

Nair Gevezier 23/11/2017.

Versão parodiada da letra Eduardo e Mônica do grupo Legião Urbana.



domingo, 5 de novembro de 2017

Marisa Orth em verso e prosa

Marisa Orth em verso e prosa

Queria fazer um poema
não tenho uma palavra forte
que rime com perfeição
com o nome Marisa Orth.

Essa musa inspiradora
que sempre demonstra coragem
estrela desde pequena
brincava de cantora na garagem.

Sua história em prosa e verso
daria uma epopeia
Se for contada desde criança
quando imitava Wanderleia.

Estudou Psicologia
Mas nasceu para atuar
Estrela também das piscinas
Antes de nas artes brilhar.

Já era conhecida nos palcos
quando conquistou a telinha
De cara encantou o público
Com a inesquecível Nicinha.

Outros papéis vieram
Valquíria, Bárbara, Beatriz...
Provando que tinha feito a escolha certa
Quando decidiu ser atriz.

Enfim, chegou o momento!
Um grande sucesso, não há como negar.
Essa moça tem talento
Deixa a Magda falar!

A história continua
Muitos fatos para contar.
Além de linda e competente
Ela ainda sabe cantar.

Uma voz marcante
onde toda sua arte se reúne
sucesso sempre garantido
seja com a Vexame, ou com o Luni. 

Talento incontestável
na tragédia, ou no humor
Divina, nos fazendo ri, ou chorar
genial, cantando o amor.

Simpatia, humildade e elegância
Celebridade, porém realista
A todos encanta: seja vendendo na feira
Ou dando vida à fadista.

Nair Gevezier 05/11/2017. 




quinta-feira, 11 de maio de 2017

As cores da vida

As cores da vida
Em algum lugar no tempo, um pintor tenta freneticamente pintar o ritmo da vida. Risca na tela o sol esplendoroso, que faz questão de brilhar e mostrar ao mundo que vida continua, apesar dos conflitos pessoais de cada um.
Interrompe os traços do sol para testar novas cores. Tem que ser incríveis, para gravar na tela o olhar da moça bonita que passou. Tarde demais! Ela já passou, e ele não conseguiu guardar aqueles olhos de oceano, ou seriam de céu límpido?
Enquanto ele mistura as cores, busca o tom exato para pintar o céu daquele dia, o vento traz uma nuvem e modifica a paisagem. Deixa o céu para lá. Agora vêm duas crianças de bicicleta. Equilíbrio sobre rodas. É a vida em movimento! Mas qual a cor perfeita? Pensou demais, perdeu a cena, as crianças se foram.
Espera aí, tem um senhor no banco da praça. Ele está só. Quais as cores pintaram seu passado? Ali sentado, sozinho, seu presente parece tão sem cor, tão bege! E seu futuro, será cinza?
Enquanto busca a mistura perfeita, o tom ideal, o dia passa, e o pintor volta para casa com a tela cheia de figuras inacabadas: um sol sem brilho, um olhar indecifrável nos contornos de uma moça, os rabiscos de uma bicicleta e o esboço de um velho que vê a vida acontecer.
De quantos rascunhos construímos nossas vidas? Quantas coisas deixamos de viver plenamente esperando o momento oportuno? Quantas pessoas passam por nossas vidas, e nem nos damos conta da cor dos seus olhos?
A vida é uma paisagem em eterno movimento. Por isso não dá para perder tempo tentando encontrar a cor ideal, o momento certo e a tinta perfeita. O que parece extravagante pode está na medida certa.
A paisagem muda o tempo inteiro, e se não vivemos a cena ao vivo ela muda, e se esperamos o momento ideal, a hora certa, nos tornamos espectadores da vida. E às vezes desse ângulo, a vida pode parecer desbotada demais.

Nair Gevezier 10/05/2017.  

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Viver

Viver

Viver é algo bem absurdo 
É um salto de um trampolim 
É um balé descompassado 
Ao som do bandolim. 

É uma eterna interrogação 
É um não saber o que vem depois da curva
É olhar para o futuro e ter a visão turva.

É a arte da contradição 
É um nunca estar satisfeito 
É buscar a insanidade de uma paixão 
Mesmo temendo seu efeito. 

Nair Gevezier 09/05/2017.

domingo, 7 de maio de 2017

Retrato da infância

Se me pedissem um retrato da infância, descreveria os bolos de terra que fazíamos, e confeitávamos com flores roubadas de alguma jardineira. Também poderia descrever as tardes de domingo, nas quais brincávamos de pique bandeira, ou jogávamos queimada. Comemorávamos, às vezes, brigávamos, até a noite derramar sobre nós o seu véu bordado de estrelas, e cada um procurar o caminho de casa.
Naquela época, ser adulto, ou melhor, gente grande, parecia um tempo tão distante, um espaço enorme a ser preenchido pelo tempo. Mas passou rápido demais! Tão rápido que nem me dei conta quando foi que cresci.
Do dia para a noite, minhas preocupações mudaram, e pouco a pouco foram consumindo meu tempo. Mal acordo na segunda-feira, pisco os olhos..., ops! sexta-feira. A semana passou, o mês passou, o verão foi escaldante, já é outono.
A vida passa rápido demais. Num instante o instante o intervalo entre infância e vida adulta é atravessado. Coisas das quais, até cinco minutos atrás não abria mão, agora já não fazem sentido.
Valorize cada momento, cada sorriso, aproveite o máximo cada gentileza. Porque são essas passagens que compõe a música da sua vida. São desses momentos que a sua história é escrita.

Nair Gevezier 06/05/2017.      

Contradições

Contradições 
Nos tempos de criança, a preservação da fauna e da flora já eram assuntos discutidos na escola. O meio ambiente foi tema de muitas redações minhas. Redações estas que sempre tirava boas notas, modéstia à parte. 
Só que, o que a professora não sabia, nem a minha consciência, era que ao voltar da escola, o alçapão já me esperava, pronto para ser armado e capturar mais um passarinho descuidado. Porque afinal de contas, quem precisava de proteção eram as aves da Amazônia e o mico-leão- dourado, não os pássaros do quintal da minha casa.
Para sorte dos tico-ticos, sempre fui afobada e acabava desistindo da armadilha antes que qualquer ave pudesse cair nela.
Certa manhã capturei um coleiro. Minha felicidade foi tamanha. Tinha mil planos para o bichinho. Troca-lo numa bicicleta, ou vendê-lo para comprar uma?
Não comercializei o coleiro, o passarinho habitou uma gaiola prateada durante dois anos e eu nem mais o olhava. 
Certa noite foi roubado, nunca mais o vi.
Meses depois, após ler "Coração de vidro", de José Mauro de Vasconcelos, jurei para mim mesma que passarinho em gaiola nunca mais. Aprendi duas lições que trago comigo até hoje: 
A liberdade é o bem mais precioso. Poder bater asas e voar, seja lá longe na Amazônia, ou no quintal de casa, é um direito que não deve ser roubado de ninguém. 
Outra lição que aprendi com as prisões da vida, é que querer mudar o mundo e não mudar de atitudes, é a mesma coisa que proteger o meio ambiente em boas redações e engaiolar pássaros no quintal de casa. 
Nair Gevezier 06/05/2017.

domingo, 23 de abril de 2017

Poema sem nome

Mulher que inspira
Idolatrada em todo país
A Spectaculu criou
Por uma juventude mais feliz.
Atriz, cantora, apresentadora
Nos palcos presença forte
Com seu encanto e carisma
Uniu pessoas do Sul ao Norte.
Ritmo perfeito
Vai da comédia ao drama
Nos faz rir, contando piadas
Lacra, cantando Lama.
Inspirou várias gerações
Um talento sem igual
Estreitou relações
Do Brasil a Portugal.
Sensualidade natural
Que faz dela um furacão
Verdadeira mulher fatal
Brilho, talento e explosão.
Atriz de multifaces
O palco é o seu lugar
Atuando ou cantando
Nasceu para brilhar.
Olhar revelador
Diz exatamente, quem é a intérprete, e quem é personagem
Já provou ao mundo por A mais B
Que não está só de passagem
Romance assunto que domina
Saber como ninguém cantar o amor
Explica a alma feminina
Com humor retrata a dor.
Teatro, uma de suas paixões
Música, algo que a completa
Cinema, exercício de pequenos gestos
De toda arte está repleta.
Houve dúvida sobre sua vocação?
Não. Já nasceu atriz
Viver da arte, e pela arte
É aquilo que a faz feliz.      

Nair Gevezier 23/04/2017.
  

sábado, 22 de abril de 2017

O mundo em paz, como seria?

Fico imaginando o mundo em paz
Como seria?
Sem atentados à Europa,

 sem medo do tráfico, sem guerra na Síria?

Assédio, violência... acontecem o tempo inteiro, 
Infelizmente de norte ao sul.
Não bastasse tudo isso
Ainda aparece a baleia azul. 

Queria só por um dia
Não ouvir falar em corrupção.
Queria acreditar só por um momento, 
Que o mundo tem salvação. 

Nair Gevezier 21/04/2017.

Arte, ciência e religião

De tudo experimento um pouco: 
Arte, ciência e religião 
Mas, nenhuma dessas áreas explica 
A loucura de uma paixão. 

A ciência diz que é apenas alteração química 
Para a religião é algo que precisa ser controlado.
No campo da arte, seja ideal ou física, 
A paixão é um objeto que pode ser recriado. 

Nair Gevezier 21/04/2017.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Folha e raiz

Folha e raiz

Viver preso à saudade
Pode tornar-te infeliz
Lembranças são como folhas
O vento leva
Saudade é como raiz.

Mas se deixou saudade, foi bom
É gostoso lembrar
O que foi ruim de algum tempo se apaga
Não vale apena recordar.

Saudade e felicidade
Da mesma árvore, folha e raiz
Sentir saudade é um jeito de reconhecer
Que de certo modo foi feliz.

Lembranças, folhas soltas
Que o vento espalha por aí.
O vento as leva e traz de volta
Para a saudade nutrir.

Nair Gevezier 09/04/2017.


quarta-feira, 5 de abril de 2017

Mudanças

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sexta-feira, 3 de março de 2017

Longe demais para dizer "eu te amo"

Longe demais para dizer “eu te amo”
Uma caravana de artistas mambembes fez uma parada numa pequena cidade, onde a vida das pessoas era muito pequena também.
Uma jovem que se sentia infeliz com a vida que levava com a família se encantou com o mágico e no dia da partida dos artistas resolveu seguir viagem com eles. Ela desejava conhecer o mundo e essa era uma ótima oportunidade.
O dono da companhia relutou, pois era mais uma boca para comer e mal tinham para eles. Mas no final das contas acabou concordando. A jovem muito feliz subiu no caminhão deixando para trás a família, que era tudo o que possuía.
Na primeira parada, numa cidadezinha menor que a sua descobriu que os coelhos que saiam da cartola do mágico precisavam de comida de verdade, faziam cocô de verdade e era ela quem precisava atender a essas necessidades. Descobriu também que antes dos possíveis aplausos que receberia da plateia teria que lavar a roupa dos artistas, carregar água para o banho de todos e cuidar dos animais.
Chegou o tão esperado dia: ia se apresentar como artista, não no espetáculo, mas durante o dia fazendo panfletagem vestida de leão. O calor era escaldante, mas estava feliz.
Cada vez mais longe de casa, cada parada da caravana não durava mais que três dias, o trabalho de levantar e desmontar acampamento já se tornava rotina. E toda rotina se torna cansativa.
Atendendo ao mágico descobriu que este e a bailarina eram mais que parceiros de cena.
E as cidades por onde passavam? De nada tinham de diferentes da sua. Até quando conheceu o mar, viu que seu encanto não era maior que sua imensidão.
Então percebeu que a felicidade, ou a grandeza da vida não estão nos lugares desconhecidos, não estão nas expectativas que criamos sobre pessoas, isso tudo reside em nós mesmos. Nas pequenas coisas com as quais convivemos e de tão perto não enxergamos.
Foi aí que sentiu saudade de casa, da família, do quintal o qual reclamava tanto para varrer. Percebeu também que nunca tinha dito “eu te amo”, aos pais, aos irmãos. Estavam ali o tempo todo e ela nunca os viu, precisou que um mágico a iludisse para enxergar a verdade.

Muitas vezes temos a felicidade tão perto, mas tão perto que não a enxergamos, e quando nos damos conta já estamos longe demais de casa, aí já é tarde para dizer “eu te amo”.            

Nair Gevezier 03/03/2017.

Crise

Crise

Crise,
O que mais ouço falar
Sons e poetas me distraem
Tento esquecer as contas para pagar.
Crise,
Difícil de rimar
Queria poder na música me exilar
E só reaparecer
Quando tudo terminar.
Crise,
De quem é a culpa?
Minha que gastei demais?
Sua, porque não soube votar?
De todos?
Será que não dá para voltar atrás?
Crise,
Palavra de som duro
Uma minoria levando vantagem
E a maioria pagando com juro.

Crise,
Será que dá para mudar a situação?
Será que o país ainda tem jeito?
Ou já caiu na aceitação?
Nair Gevezier.

Só por um instante

Só por um instante

Queria te propor
Esquecer a exatidão
Deixar de lado alguns detalhes
Impostos pela razão.
Só por hoje
Vamos sair desse quadrado
Esquecer das coisas práticas
E só querer amar e ser amado.
Esquece o aluguel
Esses compromissos tão fatais
Só por hoje
Vamos viver o prazer das coisas mais banais.
Nair Gevezier.

quinta-feira, 2 de março de 2017

E tudo se acaba...

E quando tudo acaba

Paixão esgotada
Peito vazio
Sensação de abandono
Olhar frio

Paixão intensa
Devastadora como um furacão
Chega abalando tudo
Desestabiliza o coração.
Parece que vai ser para sempre
Que nunca vai acabar
Do dia para a noite o fogo se aplaca
Deixando um vazio no lugar.
Para uns dura mais a sensação
Para outros: "sonho de uma noite de verão "
Quem fica curado primeiro não se importa
Com quem continua na ilusão.

Nair Gevezier.

Paixão, ah paixão

Paixão, ah paixão...

Paixão fogo que queima
Dilacera, arrebenta correntes
Aquece o peito dormente
Peito que agora vibra, sente.

Paixão ardente
Peito em chamas
Razão ausente
Emoção derrama.

Paixão doença que não quer cura
Derruba a razão, esconde a lógica das coisas
Só o ser amado procura.
Paixão doença que a alma consome
O corpo lateja
A vida festeja
A noite é insone.

Nair Gevezier.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E se Tieta voltasse...

E se Tieta voltasse...
Acabo de assistir aos 11 DVDs da novela Tieta, lançados pela Rede Globo.  Ainda sobre o efeito Tieta na minha vida, fico imaginando como seria se a personagem título retornasse hoje para o Agreste? Como estaria o fim de mundo 27 anos depois do seu primeiro retorno?
Provavelmente Sant’Ana do Agreste já teria sinal WI-FI grátis para toda a população, o complexo turístico idealizado por Ascânio e concretizado por Leonora, levara a cidade direto para o século XXI.  Conectados com o mundo os habitantes da cidade desfrutam de redes socais, compartilham suas opiniões com pessoas de todos os cantos do planeta e Tieta, ilustre filha da terra, tiraria selfies com todos na sua chegada.
Em Mangue Seco também poderia ter um spa de altíssimo nível, onde pessoas de vários lugares cuidam da beleza num local de clima agradável e paisagem tranquila: “um paraíso na terra”. O comércio vendendo todas as marcas, estilistas e modelos famosos negociando com “as mulheres do Agreste”, seus modelos exclusivos que são o maior sucesso.
Imagino também, bem lá na intimidade dos meus pensamentos mais secretos, que Tieta, mesmo sem saber, levou de Sant’Ana do Agreste uma lembrança da última vez que fez amor com Osnar. Ela pode ter viajado grávida da sua última aventura amorosa em Agreste, e só descoberto em São Paulo. Como já havia aberto mão de seu amor, resolveu não dizer nada, deixa-lo ser feliz com Carol, afinal ela era Tieta do Agreste, e poderia muito bem criar uma filha sozinha. Eu disse filha? É disse, gosto da ideia dessa criança ser uma menina, que volta agora com a mãe para a terra onde foi concebida, para conhecer suas raízes e saber quem é seu pai.
Sempre que assisti Tieta, e mesmo depois de ler o romance de Jorge Amado, jamais consegui entender porque a personagem título nunca teve filhos. Na novela exibida pela Rede Globo, em diálogo com a amiga Carmosina, ela diz que nunca quis. Não querer filhos morando em São Paulo e aprendendo a se defender da vida é uma coisa, mas antes no Agreste quando era uma cabritinha solta vivendo a vida, sem poder escolher, ter ou não ter filhos, como as cabras, se nos dias atuais, com todo tipo de informações adolescentes engravidam ‘sem querer”?   
Nessa trajetória, Luísa, sim Luísa é um bom nome, vai descobrindo a história de sua mãe, seus amores, seus sucessos, seu reencontro consigo mesma no decorrer de uma vingança que aparentemente não aconteceu, mas que foi em grande estilo.
Talvez Ricardo, no meio de uma crise no seu casamento com Maria Imaculada, se apaixone pala prima, assim como se encantou pela tia.
Leonora Cantarelli, com três filhos, é uma bem sucedida empresária, e com o passar dos anos ninguém se lembra mais que ela era uma herdeira rica, filha de comendador. Só Ascânio sabe de seu passado. Teme um pouco que com a volta da mãezinha, que os filhos queiram saber mais sobre a vida da mãe e seu passado paulistano.
Mas por que será que Tieta voltou para a cidade tanto tempo depois? A pergunta é a mesma da primeira vez. Na minha humilde opinião, com fantasmas do passado rondando seus sonhos: Zé Esteves tangendo as cabras, a Tieta Cabrita pastora de cabras, que se divertia nas dunas de Mangue seco, Perpétua do além querendo revanche. Sendo assim, Tieta percebe que chegou a hora de voltar para Sant’Ana do Agreste, é chegado o momento de revelar a Osnar que eles tiveram uma filha, rever seus amigos, principalmente Carmosina que vive feliz com Gladistone e a filha Vitória.
Carmosina é a única pessoa da cidade que sabe o real motivo da volta da amiga, assim como da outra vez, e se preocupa com isso.
Vitória, filha de Carmô, diferente da mãe é namoradeira, tem um restaurante de comidas típicas na cidade. Herdou o talento da avó para a arte da culinária. Devido ao advento da tecnologia é muito amiga de Luísa, apesar da distância.
Voltando a falar de Luísa, esta é uma renomada estilista. Possui uma famosa grife em São Paulo: Madame Antoainete , uma maneira de homenagear a mãe e mostrar o quanto se orgulha dela. Em sua estadia em Agreste, inspirada nas belas paisagens decide criar uma coleção moda praia: Tieta do Agreste.
Sant’Ana do Agreste pode ser ” o primeiro mundo no fim do mundo” , mas uma coisa não mudou: A hipocrisia das pessoas, os preconceitos. O mundo apesar de toda evolução tecnológica, continua igualzinho a 1989. Nada, ou pouca coisa mudou.
E assim, naquela época Tieta se vingou em grande estilo: na hipocrisia das pessoas. Estas preferiram fechar os olhos à verdade e se deitar na cama de dinheiro feita pela heroína.                      

Nair Gevezier, 10/01/2017.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Lá vem ela

Lá vem ela

Lá vem ela
Alegrando a mocidade
Encantando a Portela
É só felicidade
Desfilando na avenida
Glamour e humildade.
É Carnaval,
Mas para ela
Brilhar é normal
Nos palcos, na música, ou na tela
Sua luz é natural.
Estrela por natureza
Já nasceu atriz
Marisa, mulher que inspira
Deusa, musa, Imperatriz.
Poderia ter sido destaque
Da Mocidade, Portela, ou Beija- flor.
Mas vibrou e iluminou com os Capoeira
O bloco do seu amor.

Quando sobe no palco
É uma aparição
Marisa Orth, artísta completa
Musa, rainha e nossa inspiração.
Nair Gevezier.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Politicamente Correto

Politicamente correto
Diga!
Não diga!
Essa palavra não pode!
Antes de dizer pense,
Melhor, não diga!
Apenas siga!

Siga o manual
Fale apenas o que ele diz!
Favela não, comunidade
No vocabulário atual
É sinônimo de passividade.

Trocam o nome das coisas
Suavizam a realidade
A pobreza, a violência continuam
Chamando de favela, ou comunidade.

Muda-se o nome das coisas
Melhora a “aparência”?
É certo?
A palavra nova atende ao politicamente correto
Mas não cura a carência.

Podam o vocabulário para não ofender
Pois é.
Cortam palavras, cortam termos
Cortam até a “cabeleira do Zezé”.
Nair Gevezier








quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Crônica do desemprego

Crônica do desemprego
Há dois meses desempregada, vou até à prefeitura de uma pequena cidade falar com o prefeito. Quem sabe não estão precisando de alguém com o meu perfil profissional?
Na recepção lotada, vejo jovens mães com 3, ou mais filhos, mulheres de meia idade que precisam realizar exames mais complexos e a secretaria de saúde não pode liberar, então vão falar diretamente com o prefeito.
Sentada lendo um romance enquanto espero, percebo uma mãe com um bebê no colo, olho em volta e ninguém cede o lugar, chamo sua atenção: “moça, pode sentar aqui.” Ela agradece sentando. Agora de pé com currículo em punho aguardo minha vez.
É muito comum nas pequenas cidades (creio que nas maiores também), políticos se elegerem na base da troca de favores: o candidato pede apoio de determinados grupos dentro da comunidade e em troca emprega pessoas indicadas por determinados membros desse grupo. O famoso QI, quem indicou; quatro anos depois muda o governo e várias pessoas ficam desempregadas. Meu caso.
Saio da entrevista sem muita esperança. Na saída atravesso a recepção ainda lotada, quantos pedidos, quantos favores cobrados naqueles olhares que esperam uma ordem do prefeito para que seu exame seja autorizado, ou querem de volta o cargo perdido? ”pois existem muitos na fila e o meu caso é urgente, não posso esperar. Por isso Sr. Fulano conseguiu essa hora para mim”, “eu era funcionária da prefeitura, trabalhava direito, mas daí mudou o prefeito...”
E assim a história política do Brasil vai sendo escrita. Um candidato favorece um grupo, esse grupo o elege a base de favores pessoais e ninguém pensa no povo. O candidato quando eleito esquece que está naquele cargo representando o povo, e o povo esquece de si próprio quando prefere resolver um problema imediato elegendo um representante em troca de um favor.
Chegando em casa fui para a internet. Enquanto não consigo trabalho e ainda posso me manter conectada, assisto Bye bye Brasil, me impressiono em ver que 37 anos depois de seu lançamento, o país não mudou quase nada sua situação de pobreza. E o povo brasileiro agora mais de nunca vive como os artistas da Caravana Rolidei, fazendo o que pode para sobreviver.   
Nair Gevezier 22/02/2017.   



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

E a ocasião fez a paixão

E a ocasião fez a paixão
Para ele era tudo descoberta
Para ela brincadeira, talvez
No corpo dele sinais de alerta
Ela sentia-se como se fosse a primeira vez.
Mas era proibido
Um amor que jamais poderia acontecer
Tentaram se afastar
Pois ninguém iria entender.
Ele puro, inocente
Ela ardente, mas incapaz de amar...
Enredados por uma paixão
Que nada seria capaz de aplacar.
E a paixão se realizou
Pouco a pouco os consumia
Ela sabia que não era certo
E mesmo assim, o seduzia.
Um dia o sonho acabou
O que era bonito se partiu
Só restou uma vaga lembrança
Do que cada um sentiu.
O amor só dura o tempo que é justo
Começa e termina numa distração
Quase sempre é a mesma história
A ocasião faz a paixão.
Nair Gevezier.