Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Tieta do Agreste

Não tinha medo, A Tieta do Agreste 
 Era o que todos diziam 
 Quando nas dunas Se perdeu. 
 Deixou pra trás Todo marasmo da cidade 
 Só pra sentir no seu sangue 
 A garra que Jesus lhe deu. 

 Quando menina 
Só pensava em ser feliz 
 Ainda mais, quando o "ipicilone duplo " 
Com Lucas aprendeu. 
 Era o terror da cidade 
 Onde morava 
No sonho de todos os homens 
 A Tieta apareceu. 

 Não ia muito à igreja, 
Porque não Precisava rezar. 
Sentia que era mesmo diferente 
 Sentia que aquele ali não era seu lugar.

 Ela queria com Lucas viajar 
No Agreste não tinha nem televisão, 
Mas ele era um homem do mundo 
 Por isso não alimentou sua ilusão. 

 Corria à noite toda cidade 
De tanto brincar de médico 
 Aos doze era professora. 
 Bem jovem foi expulsa à pauladas 
 Onde aumentou seu ódio 
 Diante da sociedade repressora.

 Não entendia como a vida funcionava
 Por ser livre agora conhecia a dor 
Sozinha no mundo foi obrigada 
 A se virar pelas estradas de Salvador. 

 E passando muito aperto 
Decidiu que pra São Paulo
 Ela iria viajar. 
 Conseguiu uma passagem 
 Não podia perder oportunidade 
 De sua vida recomeçar. 

 Ela pensava:" estou indo pra São Paulo 
 Nesse país lugar melhor, não há 
 Meu pai enxotou a própria filha 
 Foi um jeito de me libertar. 

" E Tieta começou sua saga 
 Num ônibus entrou para a capital 
 Ela ficou bestificada com a cidade 
Saindo da rodoviária pegou a marginal. 

 "Meu Deus, mas que cidade incrível! "
Agora é só começar a trabalhar 
 Fazer programa, rodar a bolsinha 
Ganhava cem por mês na Rua Augusta. 

 Na sexta-feira ia pra zona da cidade 
 Ganhar algum dinheiro de um rapaz trabalhador 
 Conhecia muita gente importante 
 Tornou-se a preferida de um comendador. 

 Um paulistano que vivia da indústria 
 E por Tieta foi se encantar 
Seu nome era Felipe, ele dizia 
Um negócio pra Tieta ia começar. 

 E a Tieta até a morte trabalhava 
Mas o dinheiro não dava pra ela se alimentar.
 O jeito foi se aproximar de Felipe 
 E a sua ajuda aceitar. 

 Ela não queria mais conversa 
E como prometeu à Carmosina 
 Decidiu que ia se vingar 
 Elaborou mais uma vez seu plano santo 
E o casarão de Higianopolis
foi inaugurar. 

 Logo, logo os boyzinhos da cidade 
 Souberam da novidade 
 "Tem vadia Boa aí. "
 E Tieta ficou rica e acabou 
 Com todas cafetinas dali. 

 Fez amigos importantes 
 Frequentava a alta roda 
Pra melhor se relacionar . 
E já com muito dinheiro 
 Dos parentes e da cidade 
 Ela começou se lembrar. 

 Depois de muito tempo no Agreste pensou
 E pra família mandou dinheiro 
pela primeira vez
 Um cheque gordo, no dia cinco 
 Passou a chegar todo mês. 

 Agora a Tieta era rica 
Destemida e temida por toda capital 
Não tinha nenhum medo de polícia Esposas, políticos, playboy ou marginal. 

 Um belo dia decidiu voltar pro Agreste 
 Cumprir a vingança que um dia prometeu. Ficou surpresa quando chegou à cidade 
 E escutou o boato: "Tieta morreu." 

 Ela conheceu o Ricardo 
 E com o coração do sobrinho mexeu. 
Ricardo estava pra ser padre 
Mas desistiu quando a tia conheceu. 

 Ele dizia que queria se casar 
E pra Tieta sempre viver
 "Minha cabra, pra sempre vou te amar 
 Só do seu lado eu consigo viver. " 

 Os dois se amaram, 
Mas Perpétua resolve estragar tudo 
 E a Tieta ameaçar 
 "Se você não reparar o mal 
 Vou contar pra todo mundo 
E da cidade mais uma vez te expulsar."

 "Não sou louca de casar 
Só pra te satisfazer
 Se é dinheiro que tu quer 
 É dinheiro que você vai ter." 
 É melhor você sair da minha casa 
Porque não vou ceder sua chantagem não.

 Antes de sair Perpétua olhou com sangue nos olhos 
 E disse: você perdeu sua pose 
Vai sair dessa cidade escurraçada como cão.

 Mas o Ricardo resolveu 
 Voltar pro seminário pela Tieta se sacrificar.
 E a Tieta entregou o testamento 
 Que dizia que ao morrer 
Seu patrimônio os sobrinhos iriam herdar.

 Perpétua dali pra frente 
 Decidiu que com Tieta ia acabar. 
Foi quando um dossiê 
 Com o passado da irmã 
 Apareceu por lá. 

 Perpétua, beata sem vergonha 
 Organizou a cerimônia pra Tieta desmascarar Odiava a irmã porque era quenga 
 E esse fato pra cidade ia contar.

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