A Pequena Escritora
Sentada
aos pés da cama, a menina escreve desesperadamente, pois sonha se escritora.
Ela escreve sobre coisas que vê, coisas que sente e aos poucos seu livro vai
nascendo.
A
menina não sabe ainda se um dia alguém vai ler seus escritos, mas ela escreve.
Mesmo sem saber direito o que dita a gramática, vai tecendo seus textos, não se
importando com a sintaxe das orações, com as vírgulas que surgem
instintivamente.
Nos
seus cadernos mitos e lendas, sonho e realidade se confundem. A menina escritora
é a própria princesa da sua história, é também o herói que salva a cidade. Um
pouco da sua realidade se desenrola no brotar das palavras: o vilão muito malvado que
aprisiona a princesa pode ser aquele pai que não deixa a coleguinha brincar
fora de casa e nem receber amigos. Será
que a menina muito quieta e meio sem graça, que se torna uma linda odalisca, é
aquela mesma garota que fica sempre sozinha no seu canto durante o recreio,
porque é considerada esquisita pelos colegas? E o assustador meteoro que ameaça
cair sobre o planeta e destruir tudo, será que a prova de matemática para a
qual ela não estudou, porque se distraiu escrevendo?
Misturando
sonho e realidade a menina perde a noção do tempo e muitas folhas de
caderno. Se alguém vai ler, ela não se
importa; se atende ou não as regras da gramática, ela também não se importa;
ela só quer ser escritora, mas isso ela já é...
Nair
Gevezier 19/01/2017.