Sensibilidade da memória
Estranha
e surpreendente essa capacidade da mente humana chamada memória. Ela não é
apenas uma função cognitiva comandada por uma região do cérebro, é uma função
acima de tudo sensorial.
Quem
nunca em algum momento da vida, foi transportado para a infância ao ouvir uma
palavra a qual a avó usava com frequência? Memória auditiva, os ouvidos são sensíveis a
determinados sons e certas palavras podem trazer de volta doces ou amargos
momentos da vida.
E
o cheiro do bolinho de chuva, da pipoca quentinha saindo da panela nas tardes
chuvosas, as quais não podíamos brincar lá fora? Do mesmo modo que o bolinho
Madaleine leva Proust aos anos da de sua infância “Em busca do tempo perdido”,
somos lançados a nossa infância de traquinagens, onde só os bolinhos de chuva e
a pipoca nos impediam por alguns instantes de chafurdarmos na lama, numa
deliciosa e saudável brincadeira.
Quem
nunca teve uma lembrança antiga despertada por um perfume, um gesto, uma
palavra que seja, não tem saudades. E saudade é tão bom...
Ao
arrumarmos as gavetas para a entrada de um novo ano, demoramos mais tempo que a
correria do dia a dia nos permite, vendo antigas fotos, ou nem tão antigas... e
nos damos conta que o tempo passou rápido demais. Lembramos do momento o qual
aquela foto foi tirada: “parece que foi ontem”.
O
tempo passa cada vez mais depressa, e não devemos deixar que essa pressa para
chegar a lugar algum destrua a sensibilidade da memória. Afinal, a memória é
uma capacidade tão fantástica que pode ser guardada e despertada pelo nossos
cinco sentidos. E até pelo sexto: o da intuição.
Em
tempos confusos como os de agora, vamos preservar nossas memórias, para quando
o futuro ( que chega cada vez mais adiantado), for presente, tenhamos momentos bons
guardados, mesmo que pequenos.
Nair
Gevezier 11/01/2017.
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