Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A menina e o livro

Na ponta dos pés sobre um banquinho em frente à estante, Marina tenta alcançar um livro. São tantas histórias incríveis que seus olhinhos ficam embriagados e seus pezinhos quase a derrubam.
Ela tenta alcançar Dom Quixote, ouviu sua mãe narrar a luta contra os gigantes moinhos de vento.  Ela quer ter certeza se eram gigantes,  ou moinhos.  Na época ainda não sabia ler, e sua mãe pode ter se enganado.
Bem ao lado do herói de"La Mancha", estão as aventuras de "Robson Crusoé", e agora? Qual dos dois Marina vai resgatar da estante? E mais difícil!  Suas mãos pequeninas não conseguem chegar a nenhum deles. Ela não quer pedir ajuda. É um momento muito importante da sua vida!  A escolha do primeiro livro,  o qual fará a leitura sozinha.  Não pode haver interferência!
Oh, dúvida cruel!  Mas na prateleira logo abaixo,  bem ao alcance de suas mãos,  está lá, todo exibido,  doido para ser lido,  manuseado,  "Memórias de Emília ", do incrível Monteiro Lobato.
A boneca já é sua conhecida faz tempo,  então decide por ela.
Logo no início se surpreende ao constatar  que para escrever suas memórias,  A "Marqueza de Rabicó", "não quer cansar sua mãozinha " recorrendo ao Visconde de Sabugosa para escrevê-las.
Decepciona-se com a boneca de pano,  que pensa feito gente, nos trechos os quais ela é malcriada e grosseira com "Tia Nastácia ", mas não desiste da leitura. "Emília era boneca e virou menina.  Meninas às vezes fazem malcriações." Pensava enquanto lia.
Mais adiante na leitura Marina encontra Dom Quixote,  olha que bacana! Emília também gosta do herói sonhador,  "que só queria um mundo mais justo ", e isso lhe custou a vida e a sanidade mental.  A boneca não concordava com isso!
Ao final do livro percebe que Emília,  apesar de malcriada e abusada   é a criatura mais pensante que já conheceu.  Ela pensa,  diz o que pensa e como pensa. Isso a assustou no início e vem assustando muita gente ao longo dos tempos.
Emília não se conforma com as injustiças do mundo e não se cala diante delas. Sua sinceridade absurda choca a muitos, como Marina que doutrinada a não  dizer certas palavras, " favela não,  Marina! É comunidade!" Seu raciocínio coerente e sem "blá blá blá ", afinal bonecas não precisam de hipocrisia, comove Marina. Fazendo com que termine a leitura com lágrimas nos olhos e muitas ideias na cabeça.

Nair Gevezier  16/07/2018.
      

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