Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

As cores da vida

As cores da vida
Em algum lugar no tempo, um pintor tenta freneticamente pintar o ritmo da vida. Risca na tela o sol esplendoroso, que faz questão de brilhar e mostrar ao mundo que vida continua, apesar dos conflitos pessoais de cada um.
Interrompe os traços do sol para testar novas cores. Tem que ser incríveis, para gravar na tela o olhar da moça bonita que passou. Tarde demais! Ela já passou, e ele não conseguiu guardar aqueles olhos de oceano, ou seriam de céu límpido?
Enquanto ele mistura as cores, busca o tom exato para pintar o céu daquele dia, o vento traz uma nuvem e modifica a paisagem. Deixa o céu para lá. Agora vêm duas crianças de bicicleta. Equilíbrio sobre rodas. É a vida em movimento! Mas qual a cor perfeita? Pensou demais, perdeu a cena, as crianças se foram.
Espera aí, tem um senhor no banco da praça. Ele está só. Quais as cores pintaram seu passado? Ali sentado, sozinho, seu presente parece tão sem cor, tão bege! E seu futuro, será cinza?
Enquanto busca a mistura perfeita, o tom ideal, o dia passa, e o pintor volta para casa com a tela cheia de figuras inacabadas: um sol sem brilho, um olhar indecifrável nos contornos de uma moça, os rabiscos de uma bicicleta e o esboço de um velho que vê a vida acontecer.
De quantos rascunhos construímos nossas vidas? Quantas coisas deixamos de viver plenamente esperando o momento oportuno? Quantas pessoas passam por nossas vidas, e nem nos damos conta da cor dos seus olhos?
A vida é uma paisagem em eterno movimento. Por isso não dá para perder tempo tentando encontrar a cor ideal, o momento certo e a tinta perfeita. O que parece extravagante pode está na medida certa.
A paisagem muda o tempo inteiro, e se não vivemos a cena ao vivo ela muda, e se esperamos o momento ideal, a hora certa, nos tornamos espectadores da vida. E às vezes desse ângulo, a vida pode parecer desbotada demais.

Nair Gevezier 10/05/2017.  

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Viver

Viver

Viver é algo bem absurdo 
É um salto de um trampolim 
É um balé descompassado 
Ao som do bandolim. 

É uma eterna interrogação 
É um não saber o que vem depois da curva
É olhar para o futuro e ter a visão turva.

É a arte da contradição 
É um nunca estar satisfeito 
É buscar a insanidade de uma paixão 
Mesmo temendo seu efeito. 

Nair Gevezier 09/05/2017.

domingo, 7 de maio de 2017

Retrato da infância

Se me pedissem um retrato da infância, descreveria os bolos de terra que fazíamos, e confeitávamos com flores roubadas de alguma jardineira. Também poderia descrever as tardes de domingo, nas quais brincávamos de pique bandeira, ou jogávamos queimada. Comemorávamos, às vezes, brigávamos, até a noite derramar sobre nós o seu véu bordado de estrelas, e cada um procurar o caminho de casa.
Naquela época, ser adulto, ou melhor, gente grande, parecia um tempo tão distante, um espaço enorme a ser preenchido pelo tempo. Mas passou rápido demais! Tão rápido que nem me dei conta quando foi que cresci.
Do dia para a noite, minhas preocupações mudaram, e pouco a pouco foram consumindo meu tempo. Mal acordo na segunda-feira, pisco os olhos..., ops! sexta-feira. A semana passou, o mês passou, o verão foi escaldante, já é outono.
A vida passa rápido demais. Num instante o instante o intervalo entre infância e vida adulta é atravessado. Coisas das quais, até cinco minutos atrás não abria mão, agora já não fazem sentido.
Valorize cada momento, cada sorriso, aproveite o máximo cada gentileza. Porque são essas passagens que compõe a música da sua vida. São desses momentos que a sua história é escrita.

Nair Gevezier 06/05/2017.      

Contradições

Contradições 
Nos tempos de criança, a preservação da fauna e da flora já eram assuntos discutidos na escola. O meio ambiente foi tema de muitas redações minhas. Redações estas que sempre tirava boas notas, modéstia à parte. 
Só que, o que a professora não sabia, nem a minha consciência, era que ao voltar da escola, o alçapão já me esperava, pronto para ser armado e capturar mais um passarinho descuidado. Porque afinal de contas, quem precisava de proteção eram as aves da Amazônia e o mico-leão- dourado, não os pássaros do quintal da minha casa.
Para sorte dos tico-ticos, sempre fui afobada e acabava desistindo da armadilha antes que qualquer ave pudesse cair nela.
Certa manhã capturei um coleiro. Minha felicidade foi tamanha. Tinha mil planos para o bichinho. Troca-lo numa bicicleta, ou vendê-lo para comprar uma?
Não comercializei o coleiro, o passarinho habitou uma gaiola prateada durante dois anos e eu nem mais o olhava. 
Certa noite foi roubado, nunca mais o vi.
Meses depois, após ler "Coração de vidro", de José Mauro de Vasconcelos, jurei para mim mesma que passarinho em gaiola nunca mais. Aprendi duas lições que trago comigo até hoje: 
A liberdade é o bem mais precioso. Poder bater asas e voar, seja lá longe na Amazônia, ou no quintal de casa, é um direito que não deve ser roubado de ninguém. 
Outra lição que aprendi com as prisões da vida, é que querer mudar o mundo e não mudar de atitudes, é a mesma coisa que proteger o meio ambiente em boas redações e engaiolar pássaros no quintal de casa. 
Nair Gevezier 06/05/2017.