Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Elas me inspiram: Aracy Balabanian

Conheci seu trabalho na reprise de uma novela dos anos 70, Locomotivas. Só mais tarde fui entender a intensidade de seu papel, que aquela troca linda em cena com a Lucélia Santos, mesmo em momentos  de conflito, era uma complexa relação de mãe e filha.
Em 1992, Aracy Balabanian  pela segunda vez deu vida a inesquecível D. Armênia, personagem criada por Silvio de Abreu, que já tinha sido sucesso em "Rainha da Sucata" e repetia a dose em "Deus nos Acuda."
Fui tocada por seu talento, por sua arte em 1995, na novela "A próxima Vítima", do mesmo autor, com a personagem Filomena Ferreto. A matriarca da família Ferreto era uma mulher forte, dura, que não exitava em fazer o que julgasse necessário para manter a tradição e principalmente o patrimônio da família. Filó protegia o sobrenome Ferreto com unhas e dentes, e cuidava da família com mãos de ferro.
Essa mulher dura, forte, de pulso firme, que foi capaz de se aliar ao cunhado adúltero para evitar o escândalo de um divórcio na família, ou armar um flagrante para a irmã Carmela se afastar de Adriano, namorado anos mais jovem, me tocou profundamente. Apesar de sua força, de sua aparente aspereza, Filomena Ferreto sofria pelo fato de nunca ter podido ser mãe, e Isabela, vivida por Claudia Ohana, a sobrinha mal caráter e manipuladora ocupava esse lugar.
Numa cena comovente Aracy despertou em mim a paixão pela arte dramática, com uma simples mudança de olhar, uma tristeza na voz, ela me fez acreditar no sofrimento daquela mulher, na dor da decepção.
 Durante o resto da novela pesquisei sua vida, sua batalha para convencer seu pai que era contra a carreira artística, "meu pai era contra eu ser atriz, uma vez vendo uma peça de teatro com o ator Sérgio Cardoso, ele me disse: 'se você pelos menos tivesse o talento desse ator'... mais tarde contracenei com ele."
Aracy trabalhou de babá para pagar as aulas de teatro, sabendo de suas pretensões artísticas seu pai lhe cortou a mesada. "Era um garoto com uma deficiência auditiva, eu o ajudava nas lições de casa. Já adulto ele foi com a esposa  o filho me assistir no teatro.
Final de 1994, antes de dar vida à Filomena Ferreto, a atriz viu seu patrimônio  ser consumido por um incêndio em seu apartamento, mesmo assim seguiu em frente, viu na tragédia uma chance de receber o afeto e a generosidade das pessoas. 
Quando terminou "A próxima vítima", me senti órfã, pulei de alegria quando ouvi "Cécil Thiré, dizer seu nome quando anunciava para o "Vídeo Show", o elenco do humorístico "Sai de baixo." Pensei: "como será Aracy Balabanian fazendo comédia?" Foi incrível!
Aracy não teve filhos biológicos, mas criou as sobrinhas como se fossem suas, numa entrevista ao "Domingão do Faustão" contou que em determinado dia das mães sua sobrinha ligou e disse: "Tia, eu não a filha que não teve. Eu sou a filha que você tem." Também foi uma segunda mãe para seus filhos fictícios  , "as filhinhas de D. Armênia": Gerson Brenner, (Gerso. ou Gersa) Marcello Novaes (Gera, ou Geraldinha) e Jandir Ferrari (Gino, ou Gina). E como Cassandra, no Sai de baixo criou laços com Marisa Orth, interprete de sua filha Magda.       
Nair Gevezier 25/10/2018.

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