E
se Tieta voltasse...
Acabo de assistir aos 11
DVDs da novela Tieta, lançados pela Rede Globo.
Ainda sobre o efeito Tieta na minha vida, fico imaginando como
seria se a personagem título retornasse hoje para o Agreste? Como estaria o fim
de mundo 27 anos depois do seu primeiro retorno?
Provavelmente Sant’Ana do
Agreste já teria sinal WI-FI grátis para toda a população, o complexo turístico
idealizado por Ascânio e concretizado por Leonora, levara a cidade direto para
o século XXI. Conectados com o mundo os
habitantes da cidade desfrutam de redes socais, compartilham suas opiniões com
pessoas de todos os cantos do planeta e Tieta, ilustre filha da terra, tiraria
selfies com todos na sua chegada.
Em Mangue Seco também
poderia ter um spa de altíssimo nível, onde pessoas de vários lugares cuidam da
beleza num local de clima agradável e paisagem tranquila: “um paraíso na
terra”. O comércio vendendo todas as marcas, estilistas e modelos famosos
negociando com “as mulheres do Agreste”, seus modelos exclusivos que são o
maior sucesso.
Imagino também, bem lá na
intimidade dos meus pensamentos mais secretos, que Tieta, mesmo sem saber,
levou de Sant’Ana do Agreste uma lembrança da última vez que fez amor com
Osnar. Ela pode ter viajado grávida da sua última aventura amorosa em Agreste,
e só descoberto em São Paulo. Como já havia aberto mão de seu amor, resolveu
não dizer nada, deixa-lo ser feliz com Carol, afinal ela era Tieta do Agreste,
e poderia muito bem criar uma filha sozinha. Eu disse filha? É disse, gosto da
ideia dessa criança ser uma menina, que volta agora com a mãe para a terra onde
foi concebida, para conhecer suas raízes e saber quem é seu pai.
Sempre que assisti Tieta, e
mesmo depois de ler o romance de Jorge Amado, jamais consegui entender porque a
personagem título nunca teve filhos. Na novela exibida pela Rede Globo, em
diálogo com a amiga Carmosina, ela diz que nunca quis. Não querer filhos
morando em São Paulo e aprendendo a se defender da vida é uma coisa, mas antes
no Agreste quando era uma cabritinha solta vivendo a vida, sem poder escolher,
ter ou não ter filhos, como as cabras, se nos dias atuais, com todo tipo de
informações adolescentes engravidam ‘sem querer”?
Nessa trajetória, Luísa, sim
Luísa é um bom nome, vai descobrindo a história de sua mãe, seus amores, seus
sucessos, seu reencontro consigo mesma no decorrer de uma vingança que
aparentemente não aconteceu, mas que foi em grande estilo.
Talvez Ricardo, no meio de
uma crise no seu casamento com Maria Imaculada, se apaixone pala prima, assim
como se encantou pela tia.
Leonora Cantarelli, com três
filhos, é uma bem sucedida empresária, e com o passar dos anos ninguém se
lembra mais que ela era uma herdeira rica, filha de comendador. Só Ascânio sabe
de seu passado. Teme um pouco que com a volta da mãezinha, que os filhos
queiram saber mais sobre a vida da mãe e seu passado paulistano.
Mas por que será que Tieta
voltou para a cidade tanto tempo depois? A pergunta é a mesma da primeira vez.
Na minha humilde opinião, com fantasmas do passado rondando seus sonhos: Zé
Esteves tangendo as cabras, a Tieta Cabrita pastora de cabras, que se divertia
nas dunas de Mangue seco, Perpétua do além querendo revanche. Sendo assim,
Tieta percebe que chegou a hora de voltar para Sant’Ana do Agreste, é chegado o
momento de revelar a Osnar que eles tiveram uma filha, rever seus amigos,
principalmente Carmosina que vive feliz com Gladistone e a filha Vitória.
Carmosina é a única pessoa
da cidade que sabe o real motivo da volta da amiga, assim como da outra vez, e
se preocupa com isso.
Vitória, filha de Carmô,
diferente da mãe é namoradeira, tem um restaurante de comidas típicas na
cidade. Herdou o talento da avó para a arte da culinária. Devido ao advento da
tecnologia é muito amiga de Luísa, apesar da distância.
Voltando a falar de Luísa,
esta é uma renomada estilista. Possui uma famosa grife em São Paulo: Madame
Antoainete , uma maneira de homenagear a mãe e mostrar o quanto se orgulha
dela. Em sua estadia em Agreste, inspirada nas belas paisagens decide criar uma
coleção moda praia: Tieta do Agreste.
Sant’Ana do Agreste pode ser
” o primeiro mundo no fim do mundo” , mas uma coisa não mudou: A hipocrisia das
pessoas, os preconceitos. O mundo apesar de toda evolução tecnológica, continua
igualzinho a 1989. Nada, ou pouca coisa mudou.
E assim, naquela época Tieta
se vingou em grande estilo: na hipocrisia das pessoas. Estas preferiram fechar
os olhos à verdade e se deitar na cama de dinheiro feita pela heroína.
Nair Gevezier, 10/01/2017.