Sempre é tempo de recomeçar

Muitas vezes achamos que tudo está perdido, o sonho acabou e nada mais resta. Porém esquecemos que estamos vivos e por mais que as coisas estejam ruins há sempre um recomeço.
Enquanto houver oxigênio haverá problrmas, e é um bom sinal, pois nos problemas estão os maiores desafios e estes nos fazem sentimos vivos.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E se Tieta voltasse...

E se Tieta voltasse...
Acabo de assistir aos 11 DVDs da novela Tieta, lançados pela Rede Globo.  Ainda sobre o efeito Tieta na minha vida, fico imaginando como seria se a personagem título retornasse hoje para o Agreste? Como estaria o fim de mundo 27 anos depois do seu primeiro retorno?
Provavelmente Sant’Ana do Agreste já teria sinal WI-FI grátis para toda a população, o complexo turístico idealizado por Ascânio e concretizado por Leonora, levara a cidade direto para o século XXI.  Conectados com o mundo os habitantes da cidade desfrutam de redes socais, compartilham suas opiniões com pessoas de todos os cantos do planeta e Tieta, ilustre filha da terra, tiraria selfies com todos na sua chegada.
Em Mangue Seco também poderia ter um spa de altíssimo nível, onde pessoas de vários lugares cuidam da beleza num local de clima agradável e paisagem tranquila: “um paraíso na terra”. O comércio vendendo todas as marcas, estilistas e modelos famosos negociando com “as mulheres do Agreste”, seus modelos exclusivos que são o maior sucesso.
Imagino também, bem lá na intimidade dos meus pensamentos mais secretos, que Tieta, mesmo sem saber, levou de Sant’Ana do Agreste uma lembrança da última vez que fez amor com Osnar. Ela pode ter viajado grávida da sua última aventura amorosa em Agreste, e só descoberto em São Paulo. Como já havia aberto mão de seu amor, resolveu não dizer nada, deixa-lo ser feliz com Carol, afinal ela era Tieta do Agreste, e poderia muito bem criar uma filha sozinha. Eu disse filha? É disse, gosto da ideia dessa criança ser uma menina, que volta agora com a mãe para a terra onde foi concebida, para conhecer suas raízes e saber quem é seu pai.
Sempre que assisti Tieta, e mesmo depois de ler o romance de Jorge Amado, jamais consegui entender porque a personagem título nunca teve filhos. Na novela exibida pela Rede Globo, em diálogo com a amiga Carmosina, ela diz que nunca quis. Não querer filhos morando em São Paulo e aprendendo a se defender da vida é uma coisa, mas antes no Agreste quando era uma cabritinha solta vivendo a vida, sem poder escolher, ter ou não ter filhos, como as cabras, se nos dias atuais, com todo tipo de informações adolescentes engravidam ‘sem querer”?   
Nessa trajetória, Luísa, sim Luísa é um bom nome, vai descobrindo a história de sua mãe, seus amores, seus sucessos, seu reencontro consigo mesma no decorrer de uma vingança que aparentemente não aconteceu, mas que foi em grande estilo.
Talvez Ricardo, no meio de uma crise no seu casamento com Maria Imaculada, se apaixone pala prima, assim como se encantou pela tia.
Leonora Cantarelli, com três filhos, é uma bem sucedida empresária, e com o passar dos anos ninguém se lembra mais que ela era uma herdeira rica, filha de comendador. Só Ascânio sabe de seu passado. Teme um pouco que com a volta da mãezinha, que os filhos queiram saber mais sobre a vida da mãe e seu passado paulistano.
Mas por que será que Tieta voltou para a cidade tanto tempo depois? A pergunta é a mesma da primeira vez. Na minha humilde opinião, com fantasmas do passado rondando seus sonhos: Zé Esteves tangendo as cabras, a Tieta Cabrita pastora de cabras, que se divertia nas dunas de Mangue seco, Perpétua do além querendo revanche. Sendo assim, Tieta percebe que chegou a hora de voltar para Sant’Ana do Agreste, é chegado o momento de revelar a Osnar que eles tiveram uma filha, rever seus amigos, principalmente Carmosina que vive feliz com Gladistone e a filha Vitória.
Carmosina é a única pessoa da cidade que sabe o real motivo da volta da amiga, assim como da outra vez, e se preocupa com isso.
Vitória, filha de Carmô, diferente da mãe é namoradeira, tem um restaurante de comidas típicas na cidade. Herdou o talento da avó para a arte da culinária. Devido ao advento da tecnologia é muito amiga de Luísa, apesar da distância.
Voltando a falar de Luísa, esta é uma renomada estilista. Possui uma famosa grife em São Paulo: Madame Antoainete , uma maneira de homenagear a mãe e mostrar o quanto se orgulha dela. Em sua estadia em Agreste, inspirada nas belas paisagens decide criar uma coleção moda praia: Tieta do Agreste.
Sant’Ana do Agreste pode ser ” o primeiro mundo no fim do mundo” , mas uma coisa não mudou: A hipocrisia das pessoas, os preconceitos. O mundo apesar de toda evolução tecnológica, continua igualzinho a 1989. Nada, ou pouca coisa mudou.
E assim, naquela época Tieta se vingou em grande estilo: na hipocrisia das pessoas. Estas preferiram fechar os olhos à verdade e se deitar na cama de dinheiro feita pela heroína.                      

Nair Gevezier, 10/01/2017.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Lá vem ela

Lá vem ela

Lá vem ela
Alegrando a mocidade
Encantando a Portela
É só felicidade
Desfilando na avenida
Glamour e humildade.
É Carnaval,
Mas para ela
Brilhar é normal
Nos palcos, na música, ou na tela
Sua luz é natural.
Estrela por natureza
Já nasceu atriz
Marisa, mulher que inspira
Deusa, musa, Imperatriz.
Poderia ter sido destaque
Da Mocidade, Portela, ou Beija- flor.
Mas vibrou e iluminou com os Capoeira
O bloco do seu amor.

Quando sobe no palco
É uma aparição
Marisa Orth, artísta completa
Musa, rainha e nossa inspiração.
Nair Gevezier.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Politicamente Correto

Politicamente correto
Diga!
Não diga!
Essa palavra não pode!
Antes de dizer pense,
Melhor, não diga!
Apenas siga!

Siga o manual
Fale apenas o que ele diz!
Favela não, comunidade
No vocabulário atual
É sinônimo de passividade.

Trocam o nome das coisas
Suavizam a realidade
A pobreza, a violência continuam
Chamando de favela, ou comunidade.

Muda-se o nome das coisas
Melhora a “aparência”?
É certo?
A palavra nova atende ao politicamente correto
Mas não cura a carência.

Podam o vocabulário para não ofender
Pois é.
Cortam palavras, cortam termos
Cortam até a “cabeleira do Zezé”.
Nair Gevezier








quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Crônica do desemprego

Crônica do desemprego
Há dois meses desempregada, vou até à prefeitura de uma pequena cidade falar com o prefeito. Quem sabe não estão precisando de alguém com o meu perfil profissional?
Na recepção lotada, vejo jovens mães com 3, ou mais filhos, mulheres de meia idade que precisam realizar exames mais complexos e a secretaria de saúde não pode liberar, então vão falar diretamente com o prefeito.
Sentada lendo um romance enquanto espero, percebo uma mãe com um bebê no colo, olho em volta e ninguém cede o lugar, chamo sua atenção: “moça, pode sentar aqui.” Ela agradece sentando. Agora de pé com currículo em punho aguardo minha vez.
É muito comum nas pequenas cidades (creio que nas maiores também), políticos se elegerem na base da troca de favores: o candidato pede apoio de determinados grupos dentro da comunidade e em troca emprega pessoas indicadas por determinados membros desse grupo. O famoso QI, quem indicou; quatro anos depois muda o governo e várias pessoas ficam desempregadas. Meu caso.
Saio da entrevista sem muita esperança. Na saída atravesso a recepção ainda lotada, quantos pedidos, quantos favores cobrados naqueles olhares que esperam uma ordem do prefeito para que seu exame seja autorizado, ou querem de volta o cargo perdido? ”pois existem muitos na fila e o meu caso é urgente, não posso esperar. Por isso Sr. Fulano conseguiu essa hora para mim”, “eu era funcionária da prefeitura, trabalhava direito, mas daí mudou o prefeito...”
E assim a história política do Brasil vai sendo escrita. Um candidato favorece um grupo, esse grupo o elege a base de favores pessoais e ninguém pensa no povo. O candidato quando eleito esquece que está naquele cargo representando o povo, e o povo esquece de si próprio quando prefere resolver um problema imediato elegendo um representante em troca de um favor.
Chegando em casa fui para a internet. Enquanto não consigo trabalho e ainda posso me manter conectada, assisto Bye bye Brasil, me impressiono em ver que 37 anos depois de seu lançamento, o país não mudou quase nada sua situação de pobreza. E o povo brasileiro agora mais de nunca vive como os artistas da Caravana Rolidei, fazendo o que pode para sobreviver.   
Nair Gevezier 22/02/2017.   



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

E a ocasião fez a paixão

E a ocasião fez a paixão
Para ele era tudo descoberta
Para ela brincadeira, talvez
No corpo dele sinais de alerta
Ela sentia-se como se fosse a primeira vez.
Mas era proibido
Um amor que jamais poderia acontecer
Tentaram se afastar
Pois ninguém iria entender.
Ele puro, inocente
Ela ardente, mas incapaz de amar...
Enredados por uma paixão
Que nada seria capaz de aplacar.
E a paixão se realizou
Pouco a pouco os consumia
Ela sabia que não era certo
E mesmo assim, o seduzia.
Um dia o sonho acabou
O que era bonito se partiu
Só restou uma vaga lembrança
Do que cada um sentiu.
O amor só dura o tempo que é justo
Começa e termina numa distração
Quase sempre é a mesma história
A ocasião faz a paixão.
Nair Gevezier.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Simbologia do Lenço

Simbologia do lenço
Completamente envolvida pelo clima de Tieta, que invadiu as redes sociais nos últimos dias, devido sua reprise, sou impulsionada a fazer minhas considerações.
Apaixonada pela trama de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzson e Ricardo Linhares, inspirada no romance de Jorge Amado, sempre assisto com avidez a todas as cenas. Detalhista que sou, a primeira coisa a qual observo é a ligeira semelhança entre as atrizes que dividem a personagem título: Cláudia Ohana e Betty Faria. Ambas tem sorrisos e olhos parecidos. Os olhos podem ter tido auxílio de lentes, não sei, mas o sorriso. Escolha perfeita!  
Mas o principal detalhe que desperta minha atenção e me faz perder horas comparando cenas é o lenço. O bendito lenço o qual Tieta “ganhou” do mascate quando este a fez mulher nas dunas. O lenço de seda com o qual cobre a cabeça quando é expulsa do Agreste.
Ao retornar à cidade natal vinte anos depois, num carro esporte esbanjando luxo e sensualidade,” vestida para matar”,   Tieta usa para cobrir os cabelos o mesmo lenço de seda em tons de vermelho e coral. Ela pode ter optado pela peça para combinar com o figurino, pode ter comprado outro muito parecido, porque afinal de contas, vinte anos passando por todo tipo de dificuldades até ser tornar rica e poderosa o lenço não suportaria.
Outra cena importante do folhetim onde o acessório brilhou foi quando Ricardo e Tieta fizeram amor pela primeira vez nas dunas. Aí não teve jeito: o lenço foi levado pelo vento forte de Mangue Seco.
Se foi proposital ou não, a escolha dessa peça do figurino para cenas tão significativas na trama, não sei, mas gosto de pensar que sim. Gosto de acreditar que o lenço usado por Tieta nas cenas acima citadas é o mesmo, e que o autor tinha uma intenção por trás disso. Tieta sempre gostou de coisas finas e o lenço de seda que a seduziu e a fez seduzir o mascate simboliza que fora feita para o mundo e que Sant’Ana do Agreste era pequena demais para sua beleza e sede de viver.
Tieta também é simbolizada pela luz elétrica, pois é graças à ela que a energia chega para iluminar a cidade. Cidade esta que tem a rotina transformada depois de sua chegada.

Ao fim do último capítulo, uma tempestade de vento soterra a cidade, e eis  quem surge para o “The end”: ele mesmo, o lenço tão caro à Tieta é trazido pelo vento e fecha a tela de fim.